Salvar postagem como: PDF

Total de visualizações de página

Anuncie sua empresa

Translate

outubro 28, 2014

Xenofobia sem causa e o orgulho de ser nordestina

Professora Jussara Araújo

Já encontraram remédio pra tudo, menos para Xenofobia. As armas para esse crime hoje no Brasil, são as redes sociais, que se apropriam covardemente de perfis com mensagens ofensivas, dirigidas principalmente aos nordestinos.  A chave de tudo isso é o preconceito aliado a um sentimento de superioridade, difícil de curar, pois está alicerçado pela condição da desigualdade. Cada dia me convenço de que existem dois Brasis, e um deles não tolera o outro. Um Brasil que se considera superior e outro a vítima dessa superioridade.
O que determina a inferioridade de um grupo? Será o fator econômico? De nível da escolaridade? Da cor da pele? E quem determina essa inferioridade? Fico me perguntando e começo a divagar pela história para compreender esse sentimento nazifascista que atormenta parte do povo brasileiro que vive no sul e sudeste do Brasil.
A Região Nordeste sempre esteve excluída de qualquer política econômica desenvolvimentista instalada no Estado brasileiro desde o período imperial. Forneceu riqueza nessa fase, mão-de-obra barata para as fábricas instaladas no Sudeste no início da República, pareceu sob longos períodos de seca, ficou invisível para as políticas públicas do Estado.
Na década de 1950, no então governo de Juscelino Kubitscheck, essa polaridade entre os dois brasis marcou as diferenças econômicas entre as regiões, investindo nas industrialização da região Sudeste e a região Centro-Oeste, de forma mais tímida, raízes desse preconceito, onde o país ficou dividido entre Sudeste e Nordeste, na chamada geografia econômica, de forma muito desigual, acentuando as profundas diferenças regionais. No Sul e no Sudeste concentrava-se grande parte da riqueza, enquanto o Norte e o Nordeste permaneciam empobrecidos.
O Brasil rico e o Brasil pobre, era a configuração do país.
Sempre inferiorizada, a população nordestina sempre lutou contra a miséria e a fome, buscando alternativas de superação dessa realidade. Nunca se colocou como coitadinha, precisando da benevolência do outro. Organizou-se em Ligas Camponesas, reivindicou direitos. Viajou para o Sul e Sudeste do país, e se tornou mão-obra barata para as grandes indústrias.
Hoje, esses dois Brasis se encontram, e se separam pela intolerância, pelo desrespeito a uma população que exerce seu direito político, como todos no país. São separados pela ignorância em relação ao amplo princípio democracia, onde a vontade do povo é soberana. É um orgulho ser nordestina, e quando vejo postagens ofensivas em rede social, penso cantando: Imagine o Brasil ser dividido e o Nordeste ficar independente.
Já que existe no sul esse conceito
Que o nordeste é ruim, seco e ingrato
Já que existe a separação de fato
É preciso torná-la de direito

Quando um dia qualquer isso for feito
Todos dois vão lucrar imensamente
Começando uma vida diferente
De que a gente até hoje tem vivido
Imagina o Brasil ser dividido
E o nordeste ficar independente(...)


0 comentários :

Postar um comentário

Todos os comentários serão bem vindos, porém, só aprovarei dentro do tema exposto.