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outubro 03, 2014

Reconhecimento

Jussará Araújo

Sou uma das vencedoras do Prêmio Naíde Teodosio de Estudos de Gênero. A coluna deste mês tem um gostinho de comemoração. Este reconhecimento público expressa que vale a pena lutar por aquilo com que sonhamos e que acreditamos. É sobre essa vitória que compartilho com todos os leitores, pelo trabalho em âmbito escolar sobre as relações de gênero. Abordar a questão de gênero em qualquer dimensão não é fácil, pois as discussões giram em torno de um universo de representações de padrões de comportamento que nossa sociedade determinou ao longo de séculos, seja em casa, escola, trabalho, campo político ou religioso. A escola é o espaço que institucionalmente reproduz os traços desta cultura masculinizada, que ainda tenta homogeneizar pensamentos e posturas, até mesmo, disciplinar comportamentos e atitudes, e é por onde as mudanças devem começar.
Se a questão de gênero já é difícil sob o ponto de vista inclusivo, quando se refere à dimensão étnica a problemática é mais complicada, pois se apresenta de forma cruel. A mulher negra sofre com a discriminação em dobro: pelo gênero e pela cor. Em meio a esse discurso, o prêmio Naíde Teodósio assume uma importância significativa quando instiga pensamentos e ações concretas para a mudança, construção e até desconstrução de conceitos ou opiniões que abordam a questão de gênero, abrindo um precedente para o educador assumir seu papel social, reconhece as experiências pedagógicas e através da Secretaria da Mulher, estimula e fortalece a produção crítica de conhecimentos sobre as relações de gênero, contribuindo para a promoção dos direitos das mulheres em sua diversidade, por meio da produção de textos, pesquisas, estudos e projetos que busquem contemplar as dimensões de classe social, raça, etnia, geração e orientação sexual das mulheres em Pernambuco.
Nesse sentido, o projeto pedagógico “ERÊ” usa a dança afro para reafirmação de identidade, buscou uma reflexão acerca da condição social das mulheres negras, refletida na escola em meninas negras, com situações de discriminação e baixa autoestima. Este trabalho teve a pretensão de mudar paradigmas numa proposta transformadora e o diálogo sobre o universo étnico feminino provocou mudanças concretas na escola.
Creio firmemente que é na escola que convergem todas as diferenças sociais, econômicas, religiosas, étnicas e de gênero, numa relação conflituosa que desafia a cada um de nós, educadores, a sair da sua zona de conforto e se tornar um dos principais agentes sociais na luta por uma sociedade igualitária e justa. Segundo Paulo Freire, “o bom professor é o que consegue, enquanto fala, trazer o aluno até a intimidade do movimento do seu pensamento. Sua aula é assim um desafio e não uma cantiga de ninar. Seus alunos cansam, não dormem. Cansam porque acompanham as idas e vindas de seu pensamento, surpreendem suas pausas, suas dúvidas, suas incertezas”.
Este princípio “freireano” esteve presente em toda a proposta do trabalho desenvolvido e aqui premiado nesta edição: através da dança desenvolvemos a autoestima, despertamos a afirmação de identidade, nos afirmamos etnicamente na luta contra o preconceito e discriminação das meninas negras no universo escolar.
Esta é uma missão não só da escola, mas de todo um conjunto social que sonha com uma sociedade mais igualitária e justa. Junte-se a nós!
Estou muito feliz por vencer o Prêmio Naíde Teodósio de Estudo de Gênero deste ano, receber este prêmio é uma honra muito grande como educadora. É muito mais que uma vitória, é o reconhecimento de um trabalho que desenvolvemos durante anos. Obrigada a todos e a todas.

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