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julho 19, 2014

Tereza de Benguela


Ainda durante a escravidão surge uma personagem que a nossa história fez questão de esquecer.  Por isso, quero começar minha coluna nesse mês contando a história de Tereza, uma mulher negra, que viveu no Brasil no período colonial. A despeito de todo um processo histórico e de resistência do povo negro pós-abolição, ainda nos deparamos com históricos invisíveis desse povo, o que justifica pouca informação sobre Tereza de Benguela, Rainha negra que passou despercebida, invisível, mas com igual importância que Zumbi dos Palmares na luta contra a escravidão.
Como muitas mulheres negras hoje, que resistem à escravidão de um sistema excludente, que são açoitadas nos troncos dos padrões de uma sociedade que tenta embranquecer suas origens, e sofrem com o preconceito e a discriminação que grita, agride e ofende. Esta rainha negra assumiu o papel de comandar, de estruturar uma comunidade, de defender sua identidade com as armas que possuía.
Foi no Quilombo do Quariterê ou Quilombo do Piolho, no Mato Grosso, que essa mulher fez história no século XVIII.  Negra escrava trazida da África para trabalhar na casa do senhor, foi vítima dos maus tratos, açoites e castigos, fugiu para o quilombo em busca de alternativa para viver com dignidade.  Seu marido era o líder do quilombo, mas com sua morte Tereza assumiu o comando da comunidade com mãos de ferro. Estruturou o Quilombo economicamente, onde a comunidade vivia do artesanato, da produção de algodão e fabrico de tecidos que eram vendidos na cidade. Organizou um verdadeiro exército de defesa e punia com severidade quem a traísse.
Por mais de 20 anos Tereza liderou o quilombo, organizou levantes, lutou contra o sistema escravista, tinha o sonho de liberdade por isso nunca descansou enfrentando um Estado que sobrevivia e enriquecia com a escravidão. Após algumas investidas de tropas e grupos, no mês de julho de 1770 o quilombo foi invadido por mais de 30 homens armados, e o império de Tereza ruiu de vez.
Não se sabe ao certo de que forma Tereza morreu, contudo ela se tornou uma referência para as mulheres negras latino-americanas que resguardam-se no ideário de liberdade desde a escravidão e ao longo do processo pós-abolição. São mulheres que sofrem com a discriminação racial e de gênero em todos os âmbitos da sociedade; mulheres que sofrem com a violência; mulheres que possuem menos acesso ao sistema de saúde.
No mês de julho homenageamos Tereza de Benguela e todas as mulheres negras latino-americanas, lembrando que a luta continua, o ideal de uma sociedade mais igualitária ainda é sonho a ser realizado, para tanto, no dia 25, as vozes dessas mulheres não podem ser caladas para que a sociedade brasileira desperte para uma mudança em suas ações, sem discriminação, sem marginalização! Na luta pela visibilidade da mulher negra!


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