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junho 21, 2014

Uma declaração de Amor

Jussara Araújo – Licenciada em História, com especialização em História Afro-brasileira e Indígena.

Nasci sob a falsa proteção de um Estado de Ditadura, no início dos anos 70. Cresci sob a falsa versão da ordem e do progresso. Não vi, não ouvi, nem li versões diferentes daquelas que foram contadas nas aulas de História, de Moral e Cívica, Organização Social e Política (OSPB) da escola moldada e conduzida por um Estado controlador. Foi a mim negado o direito de participar, de discutir o que não entendia, de contestar. Então passei pela formação ginasial de forma invisível: preta, pobre e muda, porém com uma memória marcada pela necessidade de falar, transgredir, de se fazer escutar. E quando chegou o tempo da abertura política, já era estudante secundarista.
A escola começou a se abrir para uma nova metodologia, que obrigatoriamente o momento político então direcionava, para outro tipo de abordagem em sala de aula. Sei que essa transição foi dolorosa para muitos educadores que não conseguiram apropriar-se de conceitos como democracia em sala de aula. Contudo, para nós, estudantes, que sentimos na pele a intimidação, a humilhação em algumas situações, sujeitos a engasgar-se com as palavras presas na garganta, era um grito de liberdade.
O jornalista Jaime Klintowitz, afirma que as circunstâncias e mentalidades envolvidas num fato histórico marcam um enredo da história de um povo. Mas que enredo? Que história? A minha formação escolar atendia às necessidades de um Regime Ditador, as disciplinas mencionadas no início deste texto serviam de arma ideológica para esta ditadura. Cidadania era impreterivelmente o cumprimento dos deveres, só assim é que o direito seria dado como recompensa. E muitos cordeirinhos foram domesticados.
Talvez seja por essa ou inúmeras outras razões que escolhi ser professora de História, considerada uma disciplina chata, de memorização, parada, morta... (êpa, foi assim que me apresentaram essa matéria e é assim que ainda apresentam), e que propositadamente apresentaram-na no passado; para que conhecer mais do que está sendo mostrado? Quanto menos sabe, menos se discute, mais fácil de convencer.
Não! História é vida, movimento, arte, cinema, tecnologia, conflito, desconstrução, construção, afirmação, luta, direito e consciência; é só fazer a devida apresentação. Eu me apresentei a essa História, queria ter o prazer de conhecer, de me apaixonar e demonstrar essa paixão. É na sala de aula que tudo isso acontece e a cada dia esse sentimento aumenta. Por isso eu gostaria de ter o prazer de apresentá-la à você! 

2 - Tereza de Benguela

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