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janeiro 23, 2010

Surras da Vida !


Lembro-me de quando eu era criança, eu gostava muito de assistir filme de bang bang (faroeste). E como toda a criança do sexo masculino, tinha o desejo de ter um revolvinho de brinquedo. Mas não sei o por que essas vontades de criança sempre ficaram em segundo plano. Era 1973 fomos visitar minha tia que morava em outro bairro na Penha de França. Moravámos nessa epóca no Burgo Paulista, 20 minutos de onibus. Ao chegar lá meu primo de 3 anos estava brincando com um revolvinho de espuleta que tinha ganhado de presente. Ficamos lá durante algum tempo e na hora de ir embora, sem ter noção das consequências coloquei aquele revólver na minha cintura, ficou encoberto pela jaqueta que eu estava usando, pois era inverno. Retornamos de onibus com minha mãe, eu me sentia um pistoleiro com o revólver, poderoso. Ao chegar em casa, corri para o quintal dos fundos e enterrei o revólver e deixei um pedaço a vista, para alguém encontrar. Minha mãe foi para lá e encontrou e disse: Olha o que encontrei! está sujo de terra mas parece novo fique com ele. Mas como tudo que se começa errado tem consequências graves e dessa maneira não podia ser diferente.
No outro dia as 07:00 da  manhã minha tia chegou em casa fazendo a procuração do revólvinho de espuleta.
Eu era o único suspeito! Também com razão.
Depois que foram usadas todas as provas contra mim, e ficou caracterizado o crime de furto, minha querida tia retornou para o seu lar e eu tive que pagar minha pena, e da pior maneira possível.
Apanhei durante uma hora em escala de revezamento. Minha mãe e meu pai se revezavam no uso do cinto. Fiquei com o corpo marcado. Minha mãe chorava e me batia, chorava e me batia. Depois meu pai continuava e assim foi, até que se cansaram. Até hoje me lembro disso, e me questiono até que ponto aquela surra valeu como correção. Porque eu era uma criança, é certo que usei de astúcia,  mas contudo , era ingênuo e inocente.
Hoje tento dar ao meu filho o que eu não recebi quando criança, atenção, amor, dedicação, suprir todas as necessidades e carências e principalmente diálogo mostrando o bom caminho. Acredito que a minha situação poderia ter sido resolvida de uma outra maneira. Mas o que fazer?
A vida ensina muitas coisas. Hoje vejo jovens abaixo da minha idade com um belo futuro pela frente, mas que já aprenderam a usar de astúcia, aprenderam a puxar o tapete das outras pessoas para levarem vantagem em determinado assunto, ou mesmo faltam com a sinceridade e já não conseguem olhar dentro dos olhos do outro em consequência daquilo que fazem e falam.
A surra que levei serviu para uma reflexão, mas muitos ainda não receberam uma correção, ainda não levaram uma surra da vida.
É triste ver jovens com um futuro promissor mas que ainda não aprenderam nada. Aprenderão sim, mas através de surras, surras, e surras da vida.

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