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abril 25, 2008

Falsidade ideológica no Orkut


Ana Carolina Oliveira, mãe de Isabella Nardoni, optou por manter a privacidade em sua página no Orkut. Depois de receber mais de 100 mil recados (essas mensagens já deixaram de ser somadas pelo site), a bancária trancou seus álbuns de fotos, de vídeos e apagou todos os testemunhos. Na contramão, diversos internautas se aproveitam da comoção causada pela morte da menina para criar perfis falsos envolvendo os protagonistas dessa história -- já são dezenas dessas páginas e milhares de comentários nelas postados. Além de copiar o perfil de Ana Carolina, a mãe, os internautas criaram páginas fingindo ser Alexandre Nardoni, o pai, Anna Carolina Jatobá, a madrasta, e até Cristiane Nardoni, tia e madrinha de Isabella. Poucos desses perfis têm a palavra “fake”, indicando que são falsos -- a maioria usa textos e fotos para tentar enganar os usuários, que lotam essas páginas com recados. Muitas das imagens indevidamente publicadas na páginas falsas foram copiadas do álbum verdadeiro de Ana Carolina, quando ele ainda estava aberto para o público.
Motivos
O psiquiatra Aderbal Vieira Junior, da Unifesp, afirma que muitos motivos podem levar os internautas a criar esses perfis falsos de pessoas envolvidas em uma tragédia. “Alguém com uma vida sem graça, no completo anonimato, pode usar essa alternativa para vampirizar a identidade daqueles que estão recebendo muita atenção”, exemplifica o especialista do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes (Proad). Nesse caso, lembra, a atenção não é real, pois a identidade do internauta está escondida atrás dos falsos perfis. Outra hipótese é a de o dono do perfil falso se identificar com a pessoa “homenageada”: por se sentir injustiçado, por exemplo, ele finge ser a mãe de Isabella. Há também os tradicionais espíritos de porco, que utilizam a sensação de anonimato existente na internet para atacar. Luciana Ruffo, psicóloga do Núcleo de Pesquisa da Psicologia em Informática (NPPI) da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, considera ainda a possibilidade de os internautas criarem perfis falsos para testarem a reação dos usuários do Orkut em relação às pessoas envolvidas no caso. “Se alguém se passar por Alexandre Nardoni na internet, vai saber o que pensam dele”, exemplifica Luciana.

Neurose
Tanto o psiquiatra quanto a psicóloga não consideram saudável a criação de perfis falsos envolvendo os protagonistas de uma tragédia. “Isso mostra um comportamento neurótico, nos quais as pessoas procuram alternativas mentalmente não-saudáveis para lidar com seus sentimentos”, explica Vieira Junior. Para Luciana, aqueles que precisam vivenciar uma personalidade diferente da sua apresentam dificuldades para lidar com seu dia-a-dia. A psicóloga destaca ainda o fato de a internet -- ou o Orkut, nesse caso específico – facilitar a invasão da privacidade dos envolvidos no caso. “Muitos daqueles que entram do perfil da mãe da Isabella não querem realmente saber como ela está, mas sim satisfazer uma curiosidade pessoal de saber como era aquela família.” Tamanha curiosidade, afirma, está ligada ao fato de esse ser um crime contra uma criança que envolve muitas dúvidas, suspeitas e crueldade.

Aqueles que sofrem roubo de identidade no Orkut podem fazer uma denúncia ao site, que exige cópias dos documentos dos denunciantes (uma cópia anexada de um documento com foto, como carteira de identidade ou de motorista -- clique aqui para ver todas as exigências). “Nós investigaremos a denúncia e agiremos conforme o necessário”, diz o site no texto que trata da clonagem de perfis.

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