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março 05, 2008

Equador e Colômbia trocam acusações na OEA


O Equador acusou a Colômbia de realizar uma "violação planejada e premeditada" de sua soberania durante reunião do Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) realizada nesta terça-feira.
A ministra das Relações Exteriores do Equador, María Isabel Salvador, pediu que a OEA "convoque de maneira urgente" uma reunião de consulta entre os ministros dos países membros.
"O território e a soberania (do Equador) foram objeto de uma violação premeditada", disse a chanceler equatoriana.
Durante a reunião da OEA, a Colômbia defendeu sua decisão de realizar um ataque contra as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) em território equatoriano.
O embaixador colombiano na OEA, Camilo Ospina, reiterou o pedido colombiano de desculpas pelo bombardeio, mas afirmou que a operação teve uma causa justa.
"Meu país exige que as coisas sejam chamadas por seus nomes: as Farc são uma máfia narcotraficante que em nada representa os interesses do povo colombiano", disse Ospina. "São uma máfia sem pátria."
"É pertinente ressaltar que a Colômbia tem sérios indícios de que há atualmente acampamentos das Farc em território equatoriano", acrescentou.
Ospina também pediu que sejam investigadas as ligações entre o presidente venezuelano, Hugo Chávez, e guerrilheiros das Farc.
Venezuela
O embaixador da Venezuela na OEA, Jorge Valero, respaldou as propostas do Equador de criar uma comissão para investigar como ocorreu a "violação do território equatoriano" e de realizar uma reunião de consulta no máximo até 11 de março.
Sobre a posição da Colômbia na reunião da OEA, Valero disse: "Não devemos permitir que o tema central deste debate seja desviado. Não podemos permitir que o agredido passe a ser agressor (...). Devemos rechaçar e pirotecnia diplomática fundamentada em falácias e mentiras para desviar a natureza grave dos fatos".
Valero disse que se deve impedir que a Colômbia estenda o conflito armado que existe em seu território para outros países do continente.
Doutrina belicista
Mais cedo, o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, disse que seu país "jamais teve uma doutrina belicista" ou foi "um país em guerra com seus vizinhos".
Uribe disse que o governo colombiano tem um só objetivo: restabelecer a ordem pública no país após mais de 40 anos de atividade dos rebeldes das Farc.
O presidente colombiano fez as declarações em meio à crise diplomática que envolve Colômbia, Venezuela e Equador. O impasse teve início depois que forças colombianas invadiram o Equador para atacar membros das Farc, no sábado.
"Nosso único interesse é a recuperação da ordem pública interna", disse Uribe. "Por isso, não mobilizamos tropas, nem avançamos para uma guerra com vizinhos. Nossa determinação é total contra o terrorismo, que tanto nos afeta."
Pela manhã, o presidente colombiano disse que o país vai apresentar queixa no Tribunal Penal Internacional contra Chávez, acusando-o de "patrocínio e financiamento de genocidas".
"Não precisamos que simplesmente batam nas nossas costas para dar pêsames, enquanto estão dando refúgio aos torturadores da Colômbia", disse Uribe.
Em Genebra, onde participou de uma conferência da ONU, o vice-presidente da Colômbia, Francisco Santos, acusou os rebeldes das Farc de tentarem adquirir material radioativo para fazer uma "bomba suja".
Mensagem das Farc
Em um comunicado divulgado no site da Agência Bolivariana de Imprensa, as Farc criticaram duramente Uribe e o ataque de sábado, que matou um dos comandantes do grupo, Raúl Reyes.
"A perfídia do ataque, a perversidade e o cinismo mentiroso de Álvaro Uribe para deformar as circunstâncias da morte do comandante Raúl não só elevam perigosamente a tensão com as repúblicas irmãs como também golpeiam com gravidade as possibilidades de intercâmbio humanitário e anularam a saída política para o conflito paramilitarizado e pró-ianque", diz a nota.
As Farc também anunciaram que Raúl Reyes será substituído por outro líder rebelde, Joaquím Gómez, como membro do Estado Maior da organização.
No Peru, antes de embarcar para o Brasil, o presidente equatoriano, Rafael Correa, disse que Uribe "pisoteou" o direito internacional ao realizar o ataque.
"Este é um problema regional", disse Correa. "Se este ato ficar impune, toda a região estará em perigo, porque mais tarde a vítima pode ser o Peru, pode ser o Brasil, pode ser a Venezuela, pode ser a Bolívia, pode ser qualquer um de nossos países."
Correa está visitando cinco países americanos para defender a versão equatoriana da crise diplomática. Ele deve se reunir nesta quarta-feira, em Brasília, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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